Muitas vezes, a lei impede a concretização de experiências de progresso. Assimilámos completamente esta proposta e estamos empenhados na sua efectivação. Será possível, do ponto de vista legal?
Primeira questão, a da designação das licenciaturas de educação liberal. Não é problema. Apesar de uma entrada comum, o “afunilamento” para as concentrações acomoda-se perfeitamente com uma designação final em termos da concentração. Um aluno que complete os requisitos de uma determinada concentração será licenciado com a respectiva designação, ou seja, quem completar com sucesso a concentração de Economia, Matemática ou Psicologia será licenciado em Economia, Matemática ou Psicologia. A este respeito já se encontra muito avançado o trabalho de consolidação das designações ao nível do CRUP, portanto a diminuição de cerca de 800 para cerca de 80 designações de licenciatura não é consequência do modelo mas da necessidade de regulação do próprio sistema.
Talvez mais difícil, mas não cremos que impossível, é o sistema de acesso. Actualmente, é por licenciaturas específicas. Este modelo assenta na escolha mais tardia da vocação. Não vemos na lei, todavia, nenhum obstáculo a que o acesso seja feito por troncos comuns e há casos destes já em vigor ou em preparação (veja-se o recente caso da U. Nova de Lisboa já aprovado em Senado). Neste modelo, seriam Ciências e Tecnologias, e Artes e Humanidades, os elencos de provas de ingresso poderiam ser determinados analisando os dados históricos de acesso e periodicamente aferidos à medida que fossemos implementando o modelo. O problema de “fuga” de alunos parece facilmente atenuado pela maior eficácia no acesso e sustentável a curto prazo pela novidade e no longo prazo pela competitividade. No acesso às concentrações poderá ser necessário definir um regime de acesso interno nos casos em que a procura exceda a capacidade. De qualquer forma será pouco provável que existe um desfasamento considerável e a maior eficiência do esquema curricular proposto permitirá acomodar melhor as preferências vocacionais dos estudantes.
Mais complicado é o problema dos bolseiros. Eles são hoje cerca de 40% dos estudantes da UMa. Com um modelo que aponta preferencialmente para a conclusão dos estudos a nível do mestrado, e não havendo hoje bolsas para mestrados, quantos jovens de qualidade ficarão pelo caminho? Esperamos que o MCTES tenha isto em conta. Infelizmente este problema também não é exclusivo do modelo liberal.