Nos últimos 30 anos o sistema de ensino superior atravessou aquele que terá sido provavelmente a maior revolução na sua história. Nos anos 60 existiam 4 Universidades públicas e cerca de 30 000 alunos no ensino superior Português, actualmente existem 14 Universidades públicas (mais 10 privadas e vários Institutos Politécnicos), o número de alunos ascende a mais de 350 000.
Os dados da OCDE (Education at a Glance – 2004, dados para 2002) mostram Portugal como o segundo país com menor percentagem de habitantes com formação superior universitário (ou mais elevado) – 7% (México – 2%). Nos países da OCDE a média é de 15%.
Os censos 2001 mostram que a percentagem de habitantes na RAM com Ensino Superior (Politécnico ou Universitário) é de 7,44%, um pouco superior ao valor para RAA de 6,60%, mas inferior aos valores para a média do Continente de 10,8% e dos Concelhos de Lisboa com 24,53% e Porto com 21,46%. Mesmo ao nível das populações mais jovens – dos 25 aos 29 anos – apenas 13,3% da população da RAM possui qualificações superiores, enquanto este valor é de 17,6% para o todo Nacional.
Na comparação entre regiões autónomas portuguesas verifica-se que a UMa tem cerca de 2400 alunos e a Universidade dos Açores tem cerca de 3000 alunos de formação inicial e em 2004/2005 tiveram as vagas de acesso de 474 e 590 respectivamente. A comparação com outras regiões é devastadora, se na Madeira e Açores a percentagem de alunos no ensino superior é cerca de 1% da população, por exemplo, nas ilhas Canárias essa percentagem é de mais de 6%.
Por outro lado os estudos feitos com dados macroeconómicos mostram que as taxas de rendibilidade da educação são muito semelhantes a nível macro com as que são apresentadas a nível microeconómico, ou seja de 8%. A robustez deste resultado foi testada comparando o valor obtido utilizando o PIB per capita com o valor obtido utilizando as taxas de crescimento deste indicador.
Portugal apresenta nos estudos microeconómicos uma taxa de rendibilidade do Ensino Superior das mais altas da Europa de cerca de 18%, ou seja o valor esperado de aumento de salário por ano de estudos de nível superior é de 18%. Se estes valores se verificarem a nível macroeconómico poderemos esperar altas taxas de crescimento económico para os países (regiões) que tiverem aumentos significativos da percentagem dos seus habitantes com Ensino Superior.