Uma das questões que este novo modelo de acesso coloca é o adiamento da escolha da área de concentração para o final do 1º ano. Para além da enorme vantagem em termos de formação e liberdade de escolha para os alunos, esta questão levanta um problema colateral que é a eventual incapacidade da UMa permitir que um aluno aceda a uma determinada concentração por falta de capacidade docente no departamento que a lecciona. É um problema interessante, muito próximo da nossa tradição profissionalizante que limita o acesso à entrada da universidade e que importa desmistificar.
A primeira questão está relacionada com a real vocação dos alunos. Num universo de pouco mais de 1000 alunos será que existem quase 10% dos alunos com interesse em tirar o curso de psicologia ou serviço social?
Tomemos como exemplo o curso tradicionalmente mais procurado da UMa, o curso de Psicologia. Em 2005/06 este curso teve 86 alunos candidatos em 1ª opção. A primeira questão que devemos colocar está relacionada com o facto desta escolha corresponder a uma real vocação e não a uma insuficiência do nosso sistema de acesso. Num inquérito promovido pela UMa junto de todos os alunos da RAM verificou-se que 193 alunos do 12º responderam que pretendiam tirar o curso de Psicologia, dos quais apenas 134 na UMa. Estes números seriam aceitáveis se não fossem para um universo de mais de 2600 alunos (nem todos os alunos do 12º ano são candidatos ao ensino superior), ou seja, apenas 5% dos alunos responderam que pretendiam concorrer ao curso de psicologia, mas cerca de 15% colocaram este curso em 1ª opção. Comportamento inverso têm outros cursos, no mesmo inquérito 120 alunos indicaram que pretendiam o curso de Biologia e apenas 3 o colocaram em 1ª opção, esta relação era de 71 para 2 em Economia, 56 para 3 em Artes Plásticas e 268 para 34 em Medicina. Parece evidente que uma dos factores que determina a procura é a ideia que determinados cursos dão uma maior garantia de emprego do que outros. Caso contrário dificilmente se poderia explicar que o curso mais procurado da UMa seja o de serviço social, com 116 candidatos em 1ª opção, quando em anos anteriores este curso nem aparecia nas estatísticas.
Mas admitamos que cerca de 80 alunos pretendiam optar pela concentração de psicologia. Em primeiro lugar todos estes alunos teriam que conseguir entrar na UMa. Consideremos que 20% destes candidatos não o conseguiam, restam 64 alunos que entravam na UMa e que declaravam à entrada como concentração a psicologia. Admitamos que 25% dos alunos mudavam de ideia durante o 1º ano após terem sido expostos a outras áreas de conhecimento mais interessantes intelectualmente, não conseguiam aprovação nas disciplinas de 1º ano ou abandonaram a universidade. Ficamos, neste cenário optimista, com 48 alunos convictamente prontos a iniciar o 2º ano de formação em psicologia. Terá a UMa capacidade para fornecer esta formação quando actualmente apenas permite 20 alunos à entrada? No modelo aqui proposto o DPEH terá que assegurar 14 disciplinas para a concentração e, admitamos, mais 2 disciplinas ao 1º ano, num total de 16 disciplinas. Actualmente o mesmo curso envolve cerca de 30 disciplinas para os 3 primeiros anos, das quais 3 são comuns a 2 ou mais cursos, no 4º ano o curso divide-se em 3 ramos distintos e ainda existe um 5º ano de estágio, num total de mais de 40 disciplinas admitindo apenas um ramo.
Este exemplo é significativo de como o modelo proposto, com maior flexibilidade da escolha final da licenciatura, não distorce o esforço de cada departamento. Um eventual aumento da procura de uma concentração é largamente compensado pela racionalização que propomos da oferta de disciplinas.