As principais linhas de orientação da reforma que nos propusemos promover e implementar são relembradas em seguida:

  • A reforma deve ser desenhada numa lógica de procura, baseada em dados concretos e objectivos do universo de candidatos da RAM, nunca descurando a possibilidade de, a médio/longo prazo, alargarmos a base de recrutamento. É necessário romper com a lógica instrumental de que a formação universitária é sinónimo de profissionalização e emprego. A UMa deve reafirmar a sua missão de formar pessoas com aptidões, competências e conhecimentos que lhes permitam adaptar-se aos diferentes contextos profissionais;
  • A reforma deve conduzir a um compromisso claro em termos dos graus e áreas de formação em que a UMa pretende intervir a médio/longo prazo. Um projecto de formação de sucesso tem de necessariamente estar alicerçado numa estratégia clara e num ambiente estável. A UMa deverá definir, em conjunto e de forma concertada com os diversos agentes externos que intervêm no processo, as áreas de formação em que pretende intervir. Novas ofertas de formação e reestruturações curriculares devem acontecer de forma planeada, sistemática e sustentada;
  • A reforma deve abranger, de forma integrada, todos os cursos e graus actualmente oferecidos na UMa. A actual (des)organização curricular da UMa (graus com 3, 4 e 5 anos, cursos com 4 a 7 disciplinas por semestre, percursos curriculares organizados em ramos, perfis e major/minor) gera ineficiências administrativas e de gestão de recursos (humanos e materiais);
  • A reforma deve potenciar as especificidades da UMa. Somos uma Universidade jovem, eclética, de dimensão “gerível” e única no seu espaço geográfico ultraperiférico. Estas características, aliadas à capacidade de inovação e de assumpção do risco, podem e devem ser transformadas em vantagens competitivas e diferenciadoras;
  • A reforma deve recentrar o ensino no estudante, rompendo com o actual modelo expositivo baseado na contabilização das horas de contacto e colocando o aluno no centro do processo ensino/aprendizagem. Actualmente, a Universidade deve conferir aptidões e competências e não apenas informações. O modelo de ensino da UMa deve ser reorientado no sentido de promover a aprendizagem e a responsabilização dos estudantes no seu processo formativo;
  • A reforma deve ser baseada num sistema de créditos que assegure a comparabilidade entre sistemas diferentes, a flexibilidade de construção curricular e o ensino transversal e interdisciplinar. A passagem para o sistema ECTS não pode ser um mero exercício aritmético, mas deverá ser acompanhada de uma reflexão sobre o esforço que actualmente exigimos aos nossos estudantes, de forma a que o peso, disciplina a disciplina deste esforço, seja estruturante dos curricula, na moderna concepção dos créditos ECTS organizativos;
  • A reforma deve aumentar o sucesso escolar e promover a inserção no mercado de trabalho (no sentido da noção de empregabilidade que discutimos atrás), sem prejuízo da qualidade da formação ministrada. A nova lei de financiamento passará a incluir, para além da relação padrão docente/não docente/aluno, indicadores de eficiência, qualidade e mérito. A reforma deverá ser conducente do incremento destes indicadores, não apenas ao nível da eficiência pedagógica, mas também da qualidade do pessoal docente e da investigação;
  • A reforma deve contemplar um sistema de auto-avaliação em ciclos curtos (ou just in time) que permita intervenções em contexto e tempo adequados. O processo de avaliação externa deverá ser consequência de um processo de auto-avaliação permanente e indexado aos indicadores de eficiência, qualidade e mérito que conduzem ao financiamento;
  • A reforma não deve prejudicar o progresso escolar dos actuais alunos da UMa. Deverá ser encontrado um modelo de transferência para os novos graus e estruturas curriculares que, minimizando o impacto administrativo e de gestão, não prejudique os alunos;
  • Daqui se passa para uma questão estratégica. É certo que todas estas orientações são compatíveis com os nossos modelos tradicionais de ensino superior. Mas é provável que outras universidades também as adoptem, nesse quadro convencional. Continuaremos a ter então a mesma situação de dificuldade competitiva. A chave é dar o salto qualitativo para que a evolução se marque pela diferença e pela inovação, que a UMa venha a ser uma universidade de referência por um novo modelo de educação.