A central skill that we seek to reinforce in Harvard College is clear and effective writing. Writing is important not only as a tool for communication, but also as a tool for thinking.
Harvard Curricular Review, http://www.fas.harvard.edu/curriculum-review/

Independentemente da comunicação escrita e falada ser uma competência a desenvolver durante todo o percurso académico, os programas de educação liberal colocam uma particular ênfase nestas competências. A capacidade de apresentar as ideias na forma escrita ou falada é fundamental para o sucesso académico e profissional daí a sua importância no modelo liberal como fundamento para exprimir logicamente o pensamento. O estudo da compreensão e a produção de textos, escritos e orais, e a retórica – que desenvolve a eloquência e a capacidade de persuasão do discurso – são áreas transversais às duas culturas, científica e humanística. De facto, a construção do pensamento e as suas formas de divulgação passam, necessariamente, pelo domínio da expressão.
Em Portugal, cujo ensino apresenta profundas carências ao nível da preparação dos estudantes tanto na área da produção textual, quanto na da retórica, reveladas pelos resultados pouco satisfatórios dos estudantes universitários no domínio do uso da palavra, mas também dos profissionais, é fundamental repensar a forma como o ensino universitário está, neste momento, a lidar com este facto, que é um verdadeiro impedimento a uma boa prestação profissional.
A nossa função é a de preparar eficazmente, colmatando as deficiências do ensino pré-universitário, o estudante para falar e escrever com eloquência, usando os novos métodos didácticos, mas também recuperando a retórica. Esta técnica/disciplina humanística é essencial para a construção do pensamento e para a sua divulgação, como, por exemplo, faz notar o filósofo Marcello Pera, quando conclui que, na maior parte dos casos, é a retórica, o estilo usado pelo cientista, que faz vencer uma determinada tese.
A formação das elites intelectuais passa, justamente, pelo fornecimento de um domínio do estilo, das técnicas de eloquência e persuasão que são necessárias a qualquer profissional. Domínio e técnicas que não se devem apenas estudar para aplicar ao texto escrito, mas também ao falado (e em Portugal falta, desde os primeiros anos de ensino, o desenvolvimento no aluno de capacidades ligadas ao texto oral, como acontece nos EUA com o uso de técnicas como, por exemplo, o “debate”).

Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal de comunicação escrita e oral a todos os alunos da UMa independentemente da sua experiência ao nível do ensino secundário.

Existindo diferenças significativas entre as competências de comunicação dos alunos, dependendo da sua proveniência, poderá ser criado um esquema de dois níveis que permita uma melhor adaptação ao seu nível. De qualquer forma a criação de diferentes níveis deverá seguir a estrutura de “opting out”, ou seja, os alunos poderão optar por se inscrever numa disciplina mais avançada, mas serão sempre obrigados a perfazer os créditos necessários numa determinada área.