Antes de nos concentrarmos na proposta de um modelo que permita aumentar a nossa competitividade, convém termos a noção da nossa posição em relação ao sistema de ensino superior nacional.
i. A UMa no contexto nacional do ensino superior

  • Modelo Organizacional: Representando as 12 Universidades públicas portuguesas (sem considerar a U. Aberta) em termos do seu grau de descentralização e do seu grau de interdisciplinaridade, claramente que a UMa é a Universidade mais integrada e interdisciplinar do sistema público situando-se nos antípodas da UTL. A UMa é constituída por 13 unidades orgânicas muito distintas em dimensão e abrangência (a menor corresponde a uma única área disciplinar e tem 4 docentes, a maior aglutina 5 áreas disciplinares e tem cerca de 45 docentes).
  • Alunos: O número de alunos de formação inicial da UMa cresceu de 1346, em 1993/94, para 2384 alunos em 2004/05. As taxas de crescimento foram consideráveis (acima dos 2 dígitos) no início da década de 90 estabilizando a partir de 2000/01 em torno dos 2100/2200 alunos. Prevê-se um crescimento sustentado do número de alunos nos próximos 5 anos, com uma estabilização na formação inicial em torno dos 3000 alunos.
  • Docentes: actualmente a UMa conta com 170 docentes de carreira para um ETI padrão de 204 e um ETI efectivo (incluindo convidados, destacados e tempos parciais) de 200 docentes. As previsões a 5 anos apontam para um crescimento sustentado do ETI gerado por cursos de formação inicial que deverá estabilizar em torno dos 220 docentes equivalentes a tempo integral.
  • Cursos e Vagas: actualmente a UMa oferece 23 cursos de formação inicial, correspondentes a 554 vagas (incluindo 60 em concurso local). Dos 23 cursos de formação inicial 4 têm 10 vagas, 12 entre 11 e 30 vagas e apenas 7 têm mais de 30 vagas (incluindo o concurso local). O universo de procura da UMa corresponde quase exclusivamente aos alunos candidatos da RAM, cerca de 1000 a 1100 alunos por ano.
  • A UMa no contexto das Universidades Públicas Nacionais: a UMa representa 0,9% do número total de alunos no ensino superior público (1,5% das Universidades). O custo médio por aluno da UMa é dos mais baixos do sistema, situando-se em cerca de 4077€, contra 5514€ da UAç e 5145€ da UP. A qualificação do pessoal docente da UMa é ainda a mais baixa de todas as Universidades, embora a percentagem de doutores (45%) esteja já muito próxima de instituições como a UBI (47%) ou da UNL (58%).
  • ii. Pode a UMa ser competitiva?
    Convém fazer a tradicional análise de pontos fracos e pontos fortes.
    Pontos fracos:

  • Os já discutidos atrás, como limitações estruturais das universidades insulares;
  • Percentagem ainda fraca de professores doutorados (45%), mas, numa universidade jovem, também em idade média dos docentes, com forte tendência para correcção deste parâmetro;
  • Isolamento geográfico (mas com a compensação a discutir a seguir, nos pontos fortes);
  • Fraco impacto da investigação (idem);
  • Estrangulamento financeiro provocado pela fórmula de financiamento e plafonamento;
  • Reduzido apoio da sociedade civil em termos de serviços ou de mecenatos.
  • Pontos fortes:

  • Grande motivação de um sector determinante do corpo docente;
  • Gama reduzida de ofertas educativas, com muito maior flexibilidade da sua reconversão;
  • Endogamia (ainda) incipiente;
  • Elevado grau de interdisciplinaridade e integração na organização departamental;
  • Experiência na promoção de formações iniciais pluridisciplinares e de banda larga (CCO, CC);
  • Recurso aos financiamentos comunitários para as regiões ultra-periféricas;
  • Localização central na Macaronésia, com potencialidade de liderança nas relações universitárias Madeira-Açores-Canárias;
  • Condições de residência e ambiente muito atraentes para estudantes continentais (a reforçar com residências – “colleges” – de grande qualidade);
  • O mesmo para professores estrangeiros em sabática activa;
  • Boas condições logísticas, culturais e turísticas para acolhimento de congressos e reuniões científicas.
  • Com tudo isto, o que falta à UMa é diferenciar-se, adoptando um modelo competitivo face à uniformidade da universidade portuguesa. Contudo convém considerar para além dos pontos fracos e fortes as oportunidades e ameaças:
    Ameaças:

  • Vulnerabilidade às flutuações da procura de estudantes e das necessidades do mercado de trabalho;
  • Asfixia financeira provocada pelo modelo de financiamento que só é sustentável para cursos com mais de 30 alunos;
  • Conjuntura contra-ciclo de crescimento do número de alunos e da qualificação do pessoal docente;
  • Incapacidade de afirmação com qualidade de todas as áreas científicas actualmente existentes pelos padrões definidos para as grandes instituições;
  • Possibilidade de limitação da capacidade de atribuição de graus (licenciaturas com poucos alunos, doutoramento e eventualmente mestrados) caso sejam definidos critérios de racionalização desadequados à realidade das pequenas instituições;
  • Pressão social e política para responder rapidamente às necessidades imediatas e diversificadas para as quais não existem competências: formação pós-secundária, alargamento da oferta politécnica, pós-graduações, prestação de serviços, etc.
  • Oportunidades:

  • Agenda politica – Bolonha, Agenda de Lisboa, fundos estruturais;
  • Inércia/imobilismo/falta de competitividade das restantes instituições;
  • Ausência de alternativa de oferta no espaço geográfico em que se insere, fraca mobilidade dos estudantes o minimiza o risco de fuga de alunos para outras instituições;
  • Juventude e voluntarismo do corpo docente.
  • Recomendamos que a Universidade da Madeira assuma como vantagens competitivas as suas características de juventude, reduzida dimensão e inserção numa região insular e ultraperiférica.
    A UMa deverá rever a sua missão de proporcionar uma educação superior de qualidade que tire partido das características e condições que lhe são únicas: juventude, agilidade, interdisplinaridade e inserção numa região com condições de vida favoráveis.