Nas reuniões sucessivas o número de países signatários da declaração de princípios aumentou e extravasou o espaço da Europa Comunitária (33 países em 2001, 40 em 2003, actualmente 45). Brevemente, salientam-se os passos mais importantes de cada uma destas fases do processo de Bolonha:
Praga:
A educação superior é um bem público.
Ênfase na aprendizagem ao longo da vida.
Flexibilidade do que atrás se referiu como “a relevância para o mercado de trabalho”.
Primeiro e segundo graus tanto nas universidades como nos institutos não universitários.
Programas com orientações e perfis diferentes, acomodando a diversidade de necessidades individuais, académicas e do mercado de trabalho.
Berlim:
Antecipação do sistema de dois níveis para 2005.
Quadros de qualificações comparáveis (carga de aprendizagem, nível, resultados educativos - “outcomes”, competências).
Bergen:
A nova noção de empregabilidade, problema crucial que será discutido adiante.
Previsão de créditos por “outcomes”.
Importância da continuação de estudos para o 2º ciclo.
Ligação da avaliação à acreditação (autorização de cursos).
Programas europeus de doutoramento.
O Processo de Bolonha, implica assim dois objectivos:
A adopção de um enquadramento europeu para as qualificações superiores, consubstanciado num sistema de 3 ciclos (bachelor, master, doctor) com orientações e objectivos (outcomes) distintos, claramente definidos em termos de um quadro de competências que permita acomodar uma diversidade de necessidades individuais, académicas e do mercado de trabalho;
O reconhecimento e acreditação dos graus e períodos de estudos, promovendo o acesso, transferência, mobilidade e comparabilidade das formações no espaço europeu de ensino superior.
Os objectivos anteriores embora interdependentes são completamente distintos. Por um lado, o reconhecimento e acreditação de graus e períodos de estudo não implica estruturas curriculares rígidas e uniformes, muito menos a sua compartimentação (em x+y anos). Por outro lado, a adopção do modelo europeu de qualificação não se reduz a meros instrumentos burocráticos, por exemplo a adopção do sistema ECTS ou a emissão do suplemento do diploma (instrumentos já definidos entre nós pelo DL 42/2005). Melhor é falar hoje do Paradigma de Bolonha, uma profunda revolução no ensino superior europeu.