Ao adoptar um modelo de educação liberal a UMa terá que responder a uma questão elementar: o que caracteriza uma pessoa com educação superior, e como é que a UMa poderá proporcionar esta educação aos seus estudantes? Esta questão tem necessariamente que ser respondida considerando que todo o conhecimento que uma pessoa necessita ao longo da sua vida não poderá ser transmitido em 3 ou 4 anos. Colocado de outra forma, como será possível definir os conhecimentos transversais relevantes e acessíveis que proporcionem aos estudantes um quadro geral de competências que contribua para os tornar cidadãos informados, responsáveis e inseridos numa sociedade global.
A estrutura curricular deverá assim ser considerada como a forma mais eficaz e eficiente de proporcionar um quadro de competências aos alunos, considerando as restrições em termos de recursos humanos e materiais ao dispor da nossa instituição. A definição precisa dessa estrutura deverá ser discutida e ponderada pelos diferentes órgãos da UMa. Contudo, afigura-se fundamental que uma alteração profunda do modelo de ensino permita introduzir regras de racionalização nas disciplinas ou módulos ministrados. Conforme foi referido anteriormente, a UMa tem cursos organizados em 4, 5 e mesmo 6 ou 7 disciplinas por semestre. Esta (des)organização curricular é altamente ineficiente e impede a flexibilidade curricular necessária ao modelo de educação liberal que se pretende introduzir.
Actualmente são ministradas na UMa cerca de 300 disciplinas por semestre distribuídas pelos 22 cursos em funcionamento. Embora alguns cursos ainda não tenham todos os anos a decorrer, existem entre 70 e 80 disciplinas a funcionar em cada ano curricular. Este número é claramente exagerado e impeditivo de um ensino de qualidade, em particular quando o total de docentes é de cerca de 200 e o total de doutores de pouco mais de 80. Acresce que a regulamentação definida no DL 42/2005 define (e bem) que cada unidade curricular tenha que ter obrigatoriamente o mesmo número de créditos independentemente do curso em que se insere.

“c) O trabalho de um ano curricular realizado a tempo inteiro situa-se entre mil e quinhentas e mil seiscentas e oitenta horas e é cumprido num período de 36 a 40 semanas;
d) O número de créditos correspondente ao trabalho de um ano curricular realizado a tempo inteiro é de 60;
(…)
h) A uma unidade curricular integrante do plano de estudos de mais de um curso do mesmo estabelecimento de ensino superior deve ser atribuído o mesmo número de créditos, independentemente do curso.”
Artigo 5º, DL 42/2005 de 22 de Fevereiro de 2005

Esta restrição legal, quando condicionada pela fixação obrigatória de 60 ECTS por ano, torna aritmeticamente impossível conjugar estruturas curriculares com um número distinto de disciplinas ou módulos por semestre. Aliás esta é a restrição legal que impede na prática que possam coexistir modelos diferentes com partilha de recursos, independentemente do modelo a adoptar a UMa terá sempre que definir uma estrutura curricular supra-departamental para a UMa.
A normalização do número de disciplinas ou módulos por semestre não é contudo impeditiva da liberdade de organização curricular como se verá em seguida. A organização definida pelo sistema de acumulação e transferência de créditos ECTS introduz a noção de carga de trabalho do aluno e impõe limites à quantidade admissível ou expectável de esforço de um aluno típico por ano curricular. A compartimentação desse esforço, em disciplinas ou módulos, é apenas uma forma de organização e não coloca qualquer tipo de entraves à liberdade científica das unidades e docentes na definição dos conhecimentos, capacidades e competências a transmitir em cada unidade.
Para além da organização particular do 1º ano, que pela sua importância no modelo de educação liberal deverá ser considerado em separado, recomenda-se apenas que nas concentrações o número de disciplinas seja de 4 por semestre. Embora conforme foi referido o número de disciplinas não seja importante (porque 60/8=7,5 ECTS e 60/10=6 ECTS), a promoção de 4 disciplinas por semestre tem a vantagem de evitar a conhecida dispersão dos alunos, facilitando a modularização e a calendarização sequencial (2 disciplinas em simultâneo seguidas) em vez de paralela (4 disciplinas em simultâneo).

Recomendamos a criação de um gabinete ECTS, que faça a certificação do esforço solicitado aos estudantes por cada disciplina em funcionamento na UMa. Esta certificação deverá ser o primeiro passo no sistema de auto-avaliação, não devendo ser permitido o funcionamento de disciplinas sem a certificação prévia.