Discussão sobre o processo de Bolonha e a reforma do modelo educativo da UMa no Departamento de Matemática e Engenharias da Universidade da Madeira (DME) e posição da sua Comissão Científica
Historial

1. No dia 29 de Junho de 2005, a Comissão Científica do DME decidiu agendar para:

    - 7 de Julho, uma reunião da Comissão Científica para se debruçar sobre o processo de Bolonha
    - 21 de Julho, uma reunião do Conselho Consultivo (constituído por personalidades representantes da sociedade civil - na altura 12, actualmente 13) do DME para se debruçar sobre o mesmo assunto.

2. No dia 7 de Julho de 2005, teve lugar a reunião da Comissão Científica do DME.

    - A convite da Comissão Científica, o Exmo. Sr. Vice-Reitor da UMa, Professor Nuno Nunes, após historiar os principais aspectos do processo de Bolonha, expôs as linhas gerais de um modelo de educação liberal que ele considerava que deveria ser implementado na UMa.
    - Após discussão alargada, constatou-se que, embora não existisse unanimidade, a grande maioria dos presentes apoiava as linhas gerais do modelo esboçado pelo Professor Nuno Nunes.

3. No dia 21 de Julho de 2005, teve lugar a reunião do Conselho Consultivo do DME (na qual nem todas as personalidades externas que compõem o Conselho puderam estar presentes).

    - Apesar de algumas dúvidas suscitadas por certos membros do Conselho, a grande maioria saudou entusiasticamente o projecto de educação liberal esboçado pelo Professor Nuno Nunes (que nessa reunião participou não como Vice-Reitor, mas a título pessoal, na qualidade de um dos representantes do DME nesse Conselho)

4. No dia 9 de Novembro de 2005, teve lugar uma reunião do Conselho da Universidade, Presidentes das Unidades, Pró-Reitores e Presidente do Conselho Pedagógico sobre o processo de Bolonha.

    - Os membros do DME que participaram nesta reunião, fizeram-no, como é bem conhecido, na sua qualidade de membros do Conselho da Universidade, e não na qualidade de membros ou representantes do DME.
    - Após ampla discussão, o documento de reforma do modelo educativo da UMa, proposto pelo grupo que se tem vindo a debruçar sobre o processo de Bolonha e sua implementação na UMa (adiante referido por “grupo de Bolonha da UMa”), foi votado pelos membros do Conselho da Universidade, tendo sido aprovado com dois votos contra, o do Professor Günther Lang e o meu.

5. O documento em causa foi então posto à discussão pública na Universidade, até à realização do Senado (que julgo que deverá ter lugar em meados/finais de Janeiro de 2006). Nunca nenhum documento “nesta casa” esteve em discussão pública durante tanto tempo como este, o que aliás se justifica pela importância do problema.

6. A proposta do grupo de Bolonha da UMa, actualmente em discussão, não diverge, no essencial, das linhas gerais do projecto esboçado pelo Professor Nuno Nunes na Comissão Científica do DME.

7. Asim, e independentemente de eu estar desde o início contra o modelo apresentado (como o manifestei em todas as reuniões em que participei sobre o assunto), posso afirmar que a Comissão Científica do DME aprova claramente o documento em causa.

8. Naturalmente, os membros do DME, pertencentes ou não à sua Comissão Científica, individualmente, têm todo o direito, como qualquer membro da Universidade, a participar na discussão em curso, sendo, aliás, de todo o interesse que o façam, de modo a que a discussão desta importante reformulação seja tão ampla quanto possível.

José Carmo

CC: Membros da Comissão Científica e restantes docentes e funcionários não docentes do DME.


One Response to “Posição do Dep. de Matemática e Engenharias da UMa”  

  1. 1 juergenmillner

    Obrigado pelos esclarecimentos.

    E uma observação:

    Se não for contra as normas do Conselho da Universidade ou de outros orgãos onde o Senhor Professor Carmo se pronunciou acerca do Projecto Bolonha, gostaria porventura não só eu saber, após leitura dos seus esclarecimentos, quais são as razões que o levaram a votar “contra” o Projecto:

    As mesmas razões que alega o Professor Lang, ou parecidas às razões do Professor Lang, razões essas que se resumem, no meu entender, até mais ver, à preocupação respeitável que a aplicação do Projecto Bolonha possa afectar a “qualidade” do ensino, da aprendizagem e da pesquisa?

    Ou uma atitude de “equilíbrio” que acha por bem e sensato, marcar uma diferença, num ambiente de entusiasmo, já ou sobretudo para as pessoas “não se perderem em ilusões”?

    Ou outras?

    Sem me querer meter em assuntos dos quais não percebo muito ou quase nada:

    O que me fascina, a mim, entre muitos outros aspectos, no Projecto Bolonha, é também o seguinte:

    Finalmente, o famoso diálogo entre a “matemática” e a “mística” que marca a obra literária de algumas das figuras mais conhecidas das literaturas ficcionais, romancistas, poetas etc. do passado e da contemporâneidade, que têm formação e nome nas duas áreas , teria o seu lugar institucionalmente e curricularmente garantido e obrigatório, tanto pelo bem e enriquecimento intelectual emocional e humano dos alunos como dos docentes, sempre ao meu ver, claro.

    É evidente que o que essa ideia minha implica, pode haver e ser feito também sem “Bolonha”. Mas então resta ou surge-me mais uma pergunta dupla:

    Ou acha que já está tudo bem como está agora?

    Ou tem outra ideia no sentido de uma mudança para algo de melhor, em alguns aspectos (e em quais)?

    Pedindo desculpa pelo incómodo e agradecendo o seu estímulo para reflectir sem o qual eu não teria sido levado a pensar nem na metade do que formulei aqui, com os meus melhores cumprimentos,

    Kurt Millner
    (DEAG)

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