Ponto prévio

Lamento que a Reitoria da minha universidade tenha agendado tão rapidamente a proposta de um grupo de trabalho, “informal e interdisciplinar, sem qualquer representatividade departamental”, para discussão e aprovação no Conselho da Universidade, escassos dias após a sua divulgação pelos membros do referido conselho e presidentes das unidades orgânicas.

Porque agora, em vez de uma discussão aberta sobre a reorganização da UMa, corremos o risco de nos prepararmos para referendar uma proposta fechada, cuja elaboração não teve, de facto, nenhuma representatividade departamental, e que, ainda por cima, já está rotulada de “aprovada”.

Parece-me decorrer do envio da proposta para o Conselho da Universidade a ideia de que a Reitoria a assumiu como sua. Se cruzarmos essa ideia com o facto de que o conjunto da Universidade (alunos, docentes e, eventualmente, funcionários), e a comunidade em que estamos inseridos não foram igualmente convidados a apresentar propostas dentro de um prazo razoável, facilmente se concluirá que já se estreitou a discussão e a capacidade de manobra de todos a um ponto de difícil retrocesso.

E o que me parece é que estamos perante uma opção claramente top-down. Se a essa opção acrescentarmos a rapidez com que o assunto está a ser tratado, o resultado só pode ser não participação e alheamento, ou, pior ainda, a instauração de uma espécie de pensamento único, elementos que me parecem deslocados numa instituição que, pelo contrário, deve promover activamente a participação e o empenhamento de todos, quer dentro, quer fora dos seus muros.

Entretanto, talvez não seja difícil acreditarmos que não serão apenas os admiradores de Harvard e da educação liberal os que se sentem motivados e disponíveis para contribuir para reorganizar a UMa.

Carlos Nogueira Fino


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