Resposta às Questões (FAQ II)

1. Harvard tem 4 anos, dos quais dedica 1 para a educação geral. Se esta proposta é de 3 anos, só ficamos com 2 para a formação específica?

 Como já foi demonstrado anteriormente a proposta do GB não recomenda que o 1º ano seja totalmente dedicado à educação geral, a proposta é dedicar 37,5 ECTS dos 60 ECTS do 1º ano - pouco mais do que 1 semestre (5 das 8 disciplinas) e não a totalidade das 8 disciplinas como erradamente é indicado na questão.

As Universidades nos EUA têm uma duração de 4 anos para o 1º ciclo, contudo o sistema americano tem uma tradição e uma elevada percentagem de estudantes nos “community colleges” que ministram cursos profissionalizantes de 2 anos (mais próximos dos nossos CETs).

A educação geral é um modelo e a sua implementação não depende da duração do 1º ciclo. Da mesma forma que a educação profissionalizante também não. Em quase toda a Europa os 1ºs ciclos são de 3 anos e existem universidades com o modelo liberal e outras com o modelo profissionalizante.

A definição do modelo 3+2 está na proposta de DL do Governo e terá que ser acatada por todas as Universidades independentemente do modelo que definirem (profissionalizante ou liberal).

 2. Pretende a UMa ser a única do País a dar uma licenciatura de dois anos específicos?

 Obviamente que não como já foi explicado anteriormente. A UMa pretende ser a primeira Universidade portuguesa a oferecer um modelo de educação liberal para grande parte dos seus cursos. Já existem várias Universidades que o fazem na Europa e mesmo outras equacionar esta possibilidade em Portugal.

 3. Se Bolonha visa a mobilidade no espaço europeu, o aluno da UMa nem consegue mobilidade no espaço nacional?

 Como foi demonstrado anteriormente a mobilidade não depende do modelo mas do diploma que é atribuído ao estudante. Bolonha implica o reconhecimento automático e a transferência transnacional de créditos no espaço europeu. Essa mobilidade não depende dos modelos de educação adoptados.

Os alunos licenciados pela UMa continuaram a ser licenciados em Matemática, Biologia, Eng. Informática, Ciências da Cultura, Educação Física, Gestão, Economia, etc. A determinação da licenciatura é feita pela concentração e não pela área de entrada (C&T, A&H).

 1. Como pode haver competências sem informação científica e técnica? Existem competências em abstracto?

 O termo competência no âmbito de Bolonha é normalmente utilizado para referenciar “aquilo que uma pessoa é capaz ou competente de desempenhar, o seu nível de preparação e/ou responsabilidade para executar determinadas tarefas”. É portanto evidente que não existem competências em abstracto.

Como já foi referido anteriormente Bolonha é essencialmente uma mudança de paradigma, como a própria Lei de Bases explicita: “A transição de um sistema de ensino baseado na ideia da transmissão de conhecimentos para um sistema baseado no desenvolvimento de competências”. O que está em causa não é o primado das competências mas sim qual dos modelos poderá promover melhor a transição.

No entendimento do GB o modelo de Educação Liberal será o mais adequado para na UMa promover esta transição. Essa transição será promovida numa primeira fase pela disciplina de Educação Geral (37,5ECTS – do Inglês “general education program”) mas nada impede, pelo contrário, que o mesmo aconteça em todas as outras disciplinas. É nesse sentido que o relatório recomenda outras alterações como a redução do nº de disciplinas para 4 por semestre e uma profunda revisão do calendário escolar.

Finalmente a ideia que a disciplina de Educação Geral servirá apenas para promover as competências é errada. Existem várias formas de estruturar a educação geral, são dados exemplos na entrada “O papel da educação geral” em Bolonha.uma.pt. Por exemplo, o actual “core curriculum” de Harvard promove a educação geral permitindo que o aluno escolha um conjunto de disciplinas que satisfazem os requisitos de cada competência (será provavelmente o modelo mais próximo da transmissão de competências pelos conteúdos específicos). Mas existem outros modelos, como o “Athens to New York” do College of New Jersey que promovia numa única disciplina uma viagem cronológica da Grécia antiga para a Nova Iorque actual, abordando conteúdos específicos durante o trajecto.

Para quem considera esta abordagem “estranha” sugeria uma visita à escola de Ciências da Saúde da U. do Minho, repetidamente citada na workshop pelo Prof. Sérgio Machado dos Santos. Na licenciatura em medicina desta escola (http://ecs2005.ecsaude.uminho.pt/ecs2005/) existem disciplinas como “Sistemas Orgânicos e Funcionais” ou “Moléculas e Células”, como é evidente os alunos também aprendem anatomia e biologia celular mas não necessariamente em disciplinas próprias.


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