Ideias-chave do documento Projecto de Bolonha
(com base em extractos)
 e Questões
 

Como o “Projecto de Bolonha”, redigido por Nuno Nunes e João Vasconcelos Costa, pode parecer extenso (50 páginas) para uma leitura mais aprofundada, dele retirei apenas alguns extractos que, em minha opinião, são as ideias-chave que se encontram em discussão neste momento. Da minha autoria são apenas os sublinhados e o texto a negrito.
 

1. O processo de Bolonha

A. Licenciaturas de tipo 1:
1. O primeiro ano é vincadamente de educação liberal, com cerca de 3/4 da carga de estudo ocupados por uma “disciplina” geral, formadora da cultura, das capacidades intelectuais e do pensamento crítico, do domínio da comunicação, do conhecimento de uma cultura e língua estrangeira, etc. O tempo restante é ocupado com disciplinas ou cursos curtos de opção, oferecidos pelos departamentos.
2. No segundo ano iniciam-se os estudos de concentração (formação específica), mas ainda com um componente, agora minoritário, de formação pluridisciplinar, com base em disciplinas de opção dos vários departamentos.
3. O terceiro ano é inteiramente dedicado à concentração.
4. A candidatura é feita por duas grandes áreas, independentemente da designação final da licenciatura: Ciências e Tecnologias; Artes e Humanidades.
5. A escolha da concentração é feita, em princípio, no fim do primeiro ano, com base em vagas estabelecidas internamente pela universidade. B. Licenciaturas de tipo 2:
1. Serão, em referência às actuais, mas sem prejuízo de eventual remodelação, as licenciaturas em Enfermagem, em Serviço Social, em Educação de Infância, em Ensino Básico e, eventualmente, em Contabilidade e Administração.
2. Não é obrigatório que se enquadrem no modelo de educação liberal, mas também não se exclui essa possibilidade, quando o entenderem conveniente, e dependendo da regulamentação que vier a ser aplicada a cada uma das áreas.
 B. Licenciaturas de tipo 2:1. Serão, em referência às actuais, mas sem prejuízo de eventual remodelação, as licenciaturas em Enfermagem, em Serviço Social, em Educação de Infância, em Ensino Básico e, eventualmente, em Contabilidade e Administração.2. Não é obrigatório que se enquadrem no modelo de educação liberal, mas também não se exclui essa possibilidade, quando o entenderem conveniente, e dependendo da regulamentação que vier a ser aplicada a cada uma das áreas.
B. Licenciaturas de tipo 2:1. Serão, em referência às actuais, mas sem prejuízo de eventual remodelação, as licenciaturas em Enfermagem, em Serviço Social, em Educação de Infância, em Ensino Básico e, eventualmente, em Contabilidade e Administração.2. Não é obrigatório que se enquadrem no modelo de educação liberal, mas também não se exclui essa possibilidade, quando o entenderem conveniente, e dependendo da regulamentação que vier a ser aplicada a cada uma das áreas.

QUESTÕES:

1. O aluno para entrar na UMa só pode concorrer a dois “cursos” (Ciências e Tecnologias; Artes e Humanidades), enquanto os colegas no resto país concorrem ao curso que desejam? 

2. O aluno da UMa só no fim do 1º ano é que sabe se pode entrar no curso que deseja?

3. Se um aluno da UMa desejar pedir transferência para outra universidade do país, ao fim do seu 1º ano, que equivalências lhe darão?

4. A licenciatura só inicia a formação específica no segundo ano?

5. Como o aluno da UMa se candidata a um Mestrado numa outra universidade do País?

6. Se a sua formação específica é mais reduzida que a dos colegas de outras universidades ele terá de a colmatar num 2º ciclo, ou seja, no Mestrado. Mas, se o financiamento visa apenas o 1º ciclo, vai ser o aluno da UMa a pagar essa sua formação?
 

2. Uma questão preambular e crucial: a empregabilidade

Começam então a distinguir-se dois conceitos hoje objecto de grande discussão teórica e prática: a empregabilidade, que é um conjunto de competências que permitem mais fácil inserção no trabalho, mesmo que em profissões não relacionadas com a formação específica; e a formação profissional, mais estreita e sem essa flexibilidade, que prepara apenas para uma profissão. A diferença essencial é que a empregabilidade não diz respeito a uma formação específica, mas à aquisição de condições culturais e intelectuais que permitem uma mais fácil adaptação a um posto de trabalho específico. 

3. De Bolonha à Madeira 

a) Linhas de Orientação do projecto Ensino/Aprendizagem da Reitoria
b) Contexto e indicadores
c) A particularidade de uma universidade insular
d) A questão essencial da competitividade (“estilo de Harvard”)
e) Uma UMa competitiva

QUESTÕES: 

1. Harvard tem 4 anos, dos quais dedica 1 para a educação geral. Se esta proposta é de 3 anos, só ficamos com 2 para a formação específica?

2. Pretende a UMa ser a única do País a dar uma licenciatura de dois anos específicos?

3. Se Bolonha visa a mobilidade no espaço europeu, o aluno da UMa nem consegue mobilidade no espaço nacional? 

i. A UMa no contexto nacional do ensino superior
ii. Pode a UMa ser competitiva?

4. Para a diferença da UMa: um modelo de educação liberal

Recomendamos que a Universidade da Madeira se distinga das restantes instituições portuguesas pela adopção clara de um modelo de educação liberal que dê primado às competências, mais do que à informação científica e técnica e à formação profissional.

QUESTÃO:

1. Como pode haver competências sem informação científica e técnica? Existem competências em abstracto? 

Recomendamos que a Universidade da Madeira opte por um modelo misto, de educação liberal no 1º ciclo e de educação vocacional no 2º, sem exclusão de um 2º ciclo de aprofundamento da formação científica. Excluem-se ao nível do 1º ciclo as formações profissionalizantes com tradição na UMa: Enfermagem, Educação de Infância e Básica, Serviço Social.

QUESTÕES:

1. E os nossos cursos de Engenharia, Economia, Psicologia e Biologia? O que dizem as Ordens dos Engenheiros? E a Ordem dos Economistas? E a Ordem dos Psicólogos? E a Ordem dos Biólogos?

2. O curso de Medicina, como não é nosso, vai seguir outro modelo?

3. O curso de Educação Física e Desporto (Desporto, na nova designação do CRUP) só terá dois anos de formação específica para a empregabilidade nessa área?

4. Os cursos de Artes Plásticas e de Design só terão dois anos para a formação específica para a empregabilidade nessas áreas?

5. Os cursos da UMa não serão avaliados pelos mesmos critérios das restantes universidades pelo CNAVES?

5. Configuração geral do modelo

Recomendamos que a Universidade da Madeira opte por configurar o seu modelo de formação pré-graduada numa estrutura de 3 anos para o 1º ciclo e 2 anos para o segundo ciclo, de acordo com a tendência europeia, excepcionando-se o caso particular da Enfermagem a confirmar-se que será alvo de directiva apropriada. 

Recomendamos que o modelo curricular (excepto no 1º ano) seja configurado em torno de 4 disciplinas por semestre às quais deverá ser atribuído igual número de créditos (7,5 ECTS) de forma a permitir a flexibilidade curricular. 

QUESTÃO:

1. O encurtamento de 4 para 3 anos já reduz o número de disciplinas. Temos actualmente cursos com 5 disciplinas por semestre, em 4 anos, o que dá 40 disciplinas (há alguns com 6 ou 7 disciplinas por semestre).

A proposta aponta para 4 disciplinas por semestre, em 3 anos, o que dá 24 disciplinas, das quais 6 para as tais competências transversais. Estarão as unidades preparadas para esse salto tão abrupto? Haverá vantagens em reduzir assim tanto?

Recomendamos que o modelo seja globalmente estruturado em torno de 1 disciplina geral (37,5 créditos ECTS) para as competências transversais e 3 disciplinas opcionais (7,5 créditos ECTS cada) no 1º ano. Nos 2º e 3º anos recomendamos, no total, 14 disciplinas para a concentração e 2 disciplinas opcionais escolhidas obrigatoriamente numa área que não a da concentração.

a) Esboço da estrutura curricular de primeiro ciclo
Recomendamos a criação de um gabinete ECTS, que faça a certificação do esforço solicitado aos estudantes por cada disciplina em funcionamento na UMa. Esta certificação deverá ser o primeiro passo no sistema de auto-avaliação, não devendo ser permitido o funcionamento de disciplinas sem a certificação prévia.

b) O primeiro ano
Recomendamos que a Universidade da Madeira proponha um modelo de acesso diferenciado que permita aos alunos escolherem a sua concentração (ou especialização) apenas no final do 1º ano.
Para permitir uma melhor adequação à legislação em vigor o modelo deverá permitir o acesso por duas grandes áreas (ciência e tecnologia; artes e humanidades) para as quais devem ser definidos critérios mínimos de acesso que garantam a necessária qualidade.

QUESTÕES:

1. E então a designação dos cursos que já foi aprovada pelo CRUP, em Dezembro passado, que reduziu as 825 designações diferentes que pululavam no País para 79? Só aqui na UMa o aluno tem de escolher de entre 2: ciência e tecnologia e artes e humanidades?

2. Se o aluno quiser ir para Design na UMa, concorre para ciência e tecnologia ou para artes e humanidades? E se quiser ir para Psicologia? E se quiser Gestão? Etc., etc… 

Recomendamos que a organização das disciplinas oferecidas no 1º ano dependam de uma estrutura que não emane dos departamentos mas sim de um órgão com capacidade de intervenção transversal.

QUESTÃO:

1. Que órgão? Um CEC (Centro de Educação Contínua) de novo? 

i. Competências transversais do primeiro ano
1. Comunicação escrita e oral
Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal de comunicação escrita e oral a todos os alunos da UMa independentemente da sua experiência ao nível do ensino secundário.

2. Língua e cultura estrangeira
Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal de língua e cultura estrangeira a todos os alunos da UMa.
Alternativamente os alunos podem obter estes créditos frequentando programas de mobilidade ou disciplinas leccionadas por professores estrangeiros.

3. Domínio das tecnologias da informação
Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal de tecnologias de informação a todos os alunos da UMa independentemente da sua experiência ao nível do ensino secundário 

4. Competências quantitativas
Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal de competências quantitativas a todos os alunos da UMa independentemente da sua experiência ao nível do ensino secundário.

5. Conhecimentos científicos básicos
Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal de conhecimentos científicos básicos a todos os alunos da UMa independentemente da sua experiência ao nível do ensino secundário.

6. Raciocínio ético e deontológico
Recomendamos a frequência obrigatória de um número mínimo de unidades de crédito (5 a 7,5 ECTS) na aprendizagem formal raciocínio moral a todos os alunos da UMa independentemente da sua experiência ao nível do ensino secundário.

QUESTÕES: 

1. Porquê estas e não outras competências transversais? Não deverão estar estas e outras mais presentes no desenvolvimento de todas as disciplinas?

2. E porquê fazer tábua rasa dos conhecimentos adquiridos no ensino secundário?

3. E porquê torná-las obrigatórias a todos os alunos, mesmo que eles já dominem algumas destas competências, podendo aproveitar melhor o seu tempo na aquisição de outras?  

ii. A escolha da concentração
Recomendamos que seja criada a figura do professor tutor que deverá acompanhar os estudantes logo que estes entram na Universidade, co-responsabilizando-se pelas suas escolhas, sendo obrigatória a sua anuência na inscrição do aluno nas disciplinas de opção e na concentração.

QUESTÕES:

1. Porquê tem o aluno de contar obrigatoriamente com a concordância do tutor para escolher disciplinas de opção e concentração? Não estamos a dar ao aluno um atestado de menoridade mental?

2. Como se diz que este tipo de educação é liberal, se o aluno não é livre de escolher o que quer frequentar? 

Recomendamos que os alunos possam escolher a sua concentração logo à entrada para a Universidade, embora retendo a possibilidade de a alterar durante o primeiro ano de estudos. Em qualquer circunstância a definição da concentração deverá ser obrigatoriamente acompanhada pelo tutor e sujeita às restrições definidas pelos departamentos responsáveis pela concentração.

c) As concentrações
Recomendamos a criação de um sistema interno de acreditação das concentrações sujeito a requisitos de procura e qualidade (em particular a definição de um número mínimo de doutores na área), bem como a eventuais definições regulamentares a aplicar para as designações e acreditação das formações de primeiro ciclo em Portugal (por exemplo tomando como referência o documento sobre as designações em apreciação no CRUP).

d) O Acesso

e) Acesso à concentração
Uma das questões que este novo modelo de acesso coloca é o adiamento da escolha da área de concentração para o final do 1º ano
.

QUESTÃO:

1. Só na Universidade da Madeira é no 2º ano que os alunos sabem se podem ou não entrar no curso que desejam?

f) Mestrado

6. Restrições legais e sistemáticas

7. Em conclusão

 Jesus Maria Sousa


No Responses to “Análise da proposta do GB, em versão Reader’s Digest”  

  1. No Comments

Leave a Reply

You must log in to post a comment.