Prof Pedro Augusto

No geral, concordo com o modelo do documento. Aliás, penso que na prática eventuais falhas virão ao de cima e serão corrigidas a seu tempo. No entanto, há alguns pormenores que me incomodam e outros a corrigir, penso:
• Neste país em que se dá mais importância a nomes que a conteúdos o título “Licenciatura” (se bem que já aprovado por decreto governamental) parece-me perigoso. De facto, até aqui, “bacharelatos” tinham três anos e “licenciaturas” quatro, cinco ou seis. O simples facto de se chamar “licenciatura” daqui para a frente a cursos de três anos é confuso, até para a opinião pública. Talvez se compense nos créditos evitando-se, assim, a eminência de actuais bacharéis, no futuro, obterem a equivalência directa a licenciatura. Actualmente os mesmos têm de fazer um ano extra de frequência de disciplinas de forma a obtê-la (com consequente dispêndio monetário e de tempo para estudo). Para não falar dos actuais licenciados que verão, em breve, outros com “menos dispêndio monetário-temporal” ser-lhes equiparados. Por outro lado, no mercado de trabalho (e.g. Engenheiros) pode levar muito tempo aos empregadores a não preferirem candidatos com os “clássicos” cinco anos em detrimento dos novos com três. Porque não chamar ao grau dos novos cursos, por exemplo, “Diploma de 1ºCiclo”? Pelo menos marcaria a mudança radical pós-Bolonha, até no nome. Poderá estar neste facto a explicação para que os países europeus mais tradicionalistas (próximo oriente) prefiram o sistema 4+1.
• Outra questão é a do acesso a doutoramentos. Actualmente, um aluno que acabe uma Licenciatura (quatro/cinco/seis anos) com média de 16 valores ou melhor tem “direito” a acesso directo a doutoramento. E daqui para a frente? Tal passagem directa passará a estar interdita? Será sempre obrigatório fazer antes o mestrado (ou pelo menos um primeiro ano do mesmo)? Aliás, na pág. 40 (ponto f), 3º parágrafo, 1ª linha menciona-se que “pode não haver condições de continuação para o mestrado”: quais são essas condições? Possivelmente cada Escola elaborará os seus critérios de acesso tanto ao 2º Ciclo (mestrado) como ao doutoramento. No entanto, tal poderá trazer problemas no futuro para o reconhecimento destes graus mais avançados por outras Escolas nacionais e internacionais.
• Quanto ao último parágrafo do ponto 5-b-i-1 (pág.32) penso que seria justo incluir menção a um critério mais formal de separação dos alunos pelos dois níveis. Talvez um teste diagnóstico (escrito e oral). Duvido que os mesmos sejam capazes de se auto-avaliar correctamente, especialmente por desconhecimento do grau de exigência de cada disciplina.
• Tenho sérias objecções quanto ao trecho na mesma página “os nossos alunos […] trabalhar em países diferentes […] será cada vez mais improvável”. Neste momento penso que tais situações são raríssimas. No entanto, com o actual saturar do mercado regional e nacional em quase todas as áreas, a emigração é inevitável. Aliás, a nível nacional tal já está aos níveis dos anos 60, desta vez sendo a mão-de-obra emigrante muito mais qualificada (licenciados, na sua maioria). Ainda há o caso dos que pretendem prosseguir estudos no estrangeiro. Aliás, um dos grandes objectivos de Bolonha não é promover a mobilidade? Em conclusão, e de apoio total ao que consta no documento, não há dúvida que o conhecimento de (pelo menos) uma língua estrangeira será fundamental para os alunos do futuro.
• Discordo também parcialmente quanto ao que está implícito no ponto 3, 2º parágrafo (pág.33) quando se mencionam como fundamentais “as competências de programação de diversos sistemas” já que se implica uma forma de ensino com que não concordo. Mantendo a filosofia da “banda larga” também se deve aprender a programar em “banda larga”, isto é, de forma totalmente independente do sistema operativo ou da linguagem em si. Formaremos, assim, profissionais capazes de programar em qualquer linguagem e com total domínio da lógica programativa, que lhes será potencialmente útil em variadas situações profissionais.
• Na parte final do documento abundam alguns erros de escrita. Não sei se seriam corrigidos ou não numa versão final pelo que cá vai: pág.35, linha 2: “aprendizagem formal do raciocínio”; linha 8: “conseguidas com o estudo”; pág.36, linha 9: “Ao mesmo tempo”; pág.37, linha 5: “licenciaturas da UMa”; pág.39, linha 28: “Parece evidente que um dos”; pág.41, 2º parágrafo, linha 5: “Ciências e Tecnologias e Artes e Humanidades”; linha10: “provável que exista um”.


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